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Vendas crescem 33,4% na capital
Medidas do governo aumentam o volume do financiamento habitacional e movimentam o mercado de imóveis
O mercado imobiliário fechou o ano de 2005 com desempenho acima da expectativa. Conforme o balanço anual divulgado esta semana pelo Sindicato da Habitação (Secovi), as vendas na cidade de São Paulo cresceram 33,4% em valor negociado (R$ 7,23 bilhões) e 21,1% em número de unidades - o melhor desempenho em cinco anos. A meta de crescimento era de 20%.
Nem mesmo a queda no número de lançamentos - atribuída a mudanças nas leis municipais que passaram a incluir o espaço das garagens à área útil dos imóveis - desestimulou as vendas. A principal razão está relacionada ao cenário político-econômico que, na visão dos empresários, se apresenta favorável para os negócios no setor de imóveis. "Pela primeira vez em 10 ou 15 anos, temos a sensação de que há interesse político em estimular a indústria imobiliária", afirmou o presidente do Secovi, Romeu Chap Chap, durante a apresentação do balanço anual, na sede da instituição.
Um dos exemplos é a aprovação da medida provisória 255, a MP do Bem, que isenta o vendedor de um imóvel do pagamento do imposto de renda, caso ele compre outro imóvel de maior valor no prazo de 180 dias. ''Veio corrigir algumas distorções", afirma Chap Chap.
A lei é vista como um forte estímulo para a venda de casas e apartamentos antigos para a compra de outros novos. O impacto da medida ainda não pôde ser medido no balanço deste ano - que trabalha com índices registrados até o mês de outubro -, mas deve alavancar os negócios do ano que vem, segundo as previsões otimistas do setor. "Vamos sentir efeitos extraordinários a partir de agora", aposta o presidente do Secovi.
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MP do Bem veio corrigir algumas distorções, dizem empresários
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ESTÍMULOS
Outra medida do governo favorável à indústria imobiliária é a redução para os bancos da remuneração dos recursos de poupança não aplicados em operações de crédito imobiliário. Isso induz os agentes privados a financiarem a habitação, que passa a ser uma opção mais rentável. Também as resoluções do Conselho Monetário Nacional que intensificaram o direcionamento de recursos do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS) e a liberação de recursos da poupança para crédito imobiliário pela Caixa Econômica Federal reforçam o aquecimento do mercado. "Tivemos receptividade dos bancos, primeiro, amarga. Mas depois com a criatividade deles, houve a volta dos financiamentos para o nosso setor", comemora Walter Lafemina, presidente do conselho do Secovi.
CONCORRÊNCIA
Essa grande oferta de recursos para o crédito imobiliário ainda gerou outro efeito positivo. Aumentou a concorrência entre os bancos nessa modalidade de crédito. E as instituições financeiras passaram a reduzir suas taxas de juros para atrair os empréstimos. A aplicação aumentou mais de 50%. Subiu de R$ 3 bilhões, em 2004, para R$ 4,5 bilhões em 2005. "E o início da pavimentação da indústria imobiliária", afirma Lafemina
Mas o crescimento comemorado pelo Secovi ainda é considerado pífio para o Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon), que esperava ainda esse ano a aplicação de um valor próximo aos R$ 12 bilhões liberados para a habitação.
matéria: Renata Gama
foto: Sérgio Castro
Jornal O Estado de São Paulo
Domingo, 18 de dezembro de 2005
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